O que o setor privado da saúde apresentou na mesa de negociação não é proposta.
É um pacote de ataques, um projeto de retirada de direitos e uma tentativa explícita de desmontar a Convenção Coletiva de Trabalho dos trabalhadores e trabalhadoras da saúde.
Enquanto o salário mínimo nacional teve reajuste acima da inflação e até o setor filantrópico apresentou percentuais superiores, o setor privado escancarou sua opção: não valorizar, não recompor perdas e aprofundar a precarização.
🔴 O pior reajuste
Os patrões do setor privado ofereceram apenas 1,95% de reajuste, aplicado sobre o salário de dezembro de 2025.
➡️ Trata-se do pior reajuste entre todos os setores, muito abaixo:
- do reajuste do salário mínimo;
- da inflação (INPC e IPCA);
- de qualquer parâmetro mínimo de recomposição salarial.
- Sem retroativo.
Na prática, é congelamento de salário disfarçado.
Enfermagem sob ataque direto
A situação é ainda mais grave para a Enfermagem, que acumula três anos de congelamento do piso salarial no setor privado, com um escalonamento que precisa avançar.
Agora, os patrões propõem um aumento real de apenas R$ 36,00 no Piso da Enfermagem, um valor vergonhoso e ofensivo para quem sustenta a assistência.
E os ataques não param aí:
- querem incluir a periculosidade junto com a insalubridade no cálculo do piso;
- insistem em manter a diferença do piso como “sub judice”, empurrando o direito para o Judiciário (ADI 7222) e negando o pagamento imediato.
Ataque escandaloso à base de cálculo da insalubridade
Em mais uma tentativa de reduzir salários, o setor patronal quer rebaixar a base de cálculo da insalubridade.
📉 O valor cairia de R$ 324,20 para R$ 309,40.
Isso é inaceitável, ilegal e demonstra o nível do ataque: rebaixar ainda mais direitos já conquistados.
Fim do adicional de feriados: retrocesso histórico
Os patrões também querem retirar o adicional de feriados dos trabalhadores em jornada 12×36.
Na Convenção Coletiva, o trabalho em feriados garante pagamento em dobro ou folga compensatória, assegurando o Descanso Semanal Remunerado (DSR) e o mínimo de justiça a quem trabalha quando a maioria descansa.
Esse é um ataque herdado da reforma trabalhista, já superado na luta sindical, garantido em Convenção pelo Sindsaúde, e que agora o setor privado tenta retomar, jogando os trabalhadores de volta ao passado.
Ataque às mulheres trabalhadoras
Entre os pontos mais chocantes da proposta patronal está a exigência de que mulheres gestantes informem no atestado médico o tempo que permaneceram em atendimento.
Isso é:
- constrangimento;
- violação de direitos;
- ataque direto à saúde da mulher trabalhadora.
Um absurdo que expõe o desprezo do setor privado pela dignidade humana.
Supressão da ultratividade: rasgar a Convenção
Talvez o ataque mais perigoso de todos:
os patrões querem suprimir a ultratividade.
Na prática, isso significa que, se a Convenção atual vencer, todos os direitos podem ser retirados até que uma nova seja assinada.
⚠️ Auxílio-creche
⚠️ Adicionais
⚠️ Garantias históricas
Além disso, o setor patronal propõe reduzir o direito ao auxílio-creche, limitando-o de 6 anos para apenas 4 anos, fragilizando ainda mais o direito das trabalhadoras e trabalhadores com filhos pequenos.
Tudo fica ameaçado, ao bel-prazer dos patrões.
Seus direitos estão por um fio
O setor privado não quer reajustar salários.
Quer reduzir pisos, retirar direitos, desorganizar a categoria e rasgar a Convenção Coletiva.
O Sindsaúde Ceará não aceitará retrocessos, não aceitará propostas rebaixadas e seguirá denunciando cada ataque.
A Convenção é nossa.
Os direitos são nossos.
E não abriremos mão deles.










