Em nova reunião realizada na manhã de 26 de março, em Fortaleza, o Grupo de Trabalho contra as falsas cooperativas reuniu Sindsaúde Ceará, através dos diretores Mauro Regis e Wanda Duarte e do assessor Juridico, Dr. Matheus Alburquerque, Sindicato dos Médicos e Ministério Público do Trabalho para aprofundar denúncias que vêm se acumulando no estado. O encontro marcou mais um passo no enfrentamento a um modelo que precariza o trabalho na saúde pública.
No centro das discussões, a atuação da cooperativa COAPH em hospitais da rede estadual segue cercada de questionamentos. A falta de qualificação técnica para atuação em setores como emergência foi confirmada por gestores. Mesmo assim, a cooperativa continua operando e, na prática, sendo sustentada pela CEMERGE, outra coperativa, que, mesmo desclassificada na licitação, atua há mais de um ano suprindo as falhas da vencedora.
Mas foi a intervenção do Sindsaúde que trouxe o ponto mais grave: a realidade dos trabalhadores nos diversos equipamentos de saúde geridos pela falsa cooperativa.
O sindicato denunciou um cenário que se repete em várias unidades: jornadas exaustivas, atrasos constantes de pagamento e salários que, em alguns casos, não chegam ao mínimo. Não se trata de casos isolados, mas de um modelo que se sustenta na retirada de direitos e na precarização das condições de trabalho.
As denúncias foram reforçadas pela Auditoria Fiscal do Trabalho, que já identificou irregularidades em diferentes unidades, incluindo casos de remuneração abaixo do salário mínimo. Os relatórios finais devem ser encaminhados ao Ministério Público do Trabalho, ao Ministério Público do Estado e ao Tribunal de Contas para adoção das medidas cabíveis.
Enquanto isso, a defesa da cooperativa se apoia em argumentos formais, como contratos e limites financeiros. Mas a realidade apontada na reunião revela outra coisa: subordinação, escalas impostas e denúncias de assédio, características que contradizem o discurso de cooperativismo.
A reunião também evidenciou diferenças de enfoque entre as entidades. Enquanto o Sindicato dos Médicos destacou a falta de qualificação técnica, o Sindsaúde reforçou sua atuação histórica na denúncia da precarização, especialmente entre trabalhadores de nível médio, os mais afetados por esse modelo.
Ao final, a COAPH solicitou prazo para apresentar documentação. Já os órgãos de fiscalização aguardam a conclusão dos relatórios para avançar nas medidas legais.
O alerta permanece. A possibilidade de um novo contrato de longa duração com a mesma cooperativa levanta preocupação sobre a continuidade desse cenário.
O que se viu na reunião é claro: o avanço no combate às falsas cooperativas está acontecendo, mas a precarização ainda é realidade. E o Sindsaúde segue na linha de frente, denunciando, pressionando e defendendo quem sustenta a saúde pública todos os dias.









