A cada 100 casas, duas têm foco do mosquito da dengue

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Para os moradores do Guararapes, a dengue não é assunto estranho. “O pessoal sempre fala. Aqui tem muito foco. Sempre que eles (agentes) vêm aqui, detectam algo”, conta o caseiro do imóvel, Luís de Menezes, 69. Morador do bairro há 40 anos, seu Luís sempre tem notícia de quem caiu enfermo com a dengue. “Meus dois netos mesmos já pegaram. A gente sempre escuta falar de gente doente. É muito comum”, diz.


O bairro registrou o maior Índice de Infestação Predial (IFP) de Fortaleza no último Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (Liraa) feito pela Secretaria Municipal da Saúde (SMS). A pesquisa, realizada entre os meses de novembro de 2013 e fevereiro deste ano, revelou um índice de infestação de 2,04 para a Fortaleza. Isso significa que entre 100 residências da Capital, duas possuem criadouros do mosquito. O valor é considerado como “de alerta” pela classificação do Ministério da Saúde.


“Isso significa dizer que não estamos com um índice satisfatório. Estamos no estado de alerta, em um iminente risco de epidemia”, resumiu o gerente da Célula de Vigilância Ambiental e Riscos Biológicos da SMS, Nélio de Morais. Segundo ele, o último Liraa realizado na Capital, divulgado em outubro do ano passado, apontou uma infestação de 1,02%. “Mas em outubro é um cenário maravilhoso, porque eu não tenho chuva nenhuma e não acumulei água em canto nenhum. Esse Liraa é o da chuva. Consequentemente, ele já me deu 2,04. O sinal de alerta está lançado”, afirmou.


Além do Guararapes (12,5%), outros nove bairros registraram um IFP classificado como de risco. A maioria das áreas (80 bairros) permaneceu como “em alerta” na pesquisa. Entre as Secretarias Regionais (SERs), o levantamento apontou a Regional VI como o local de maior concentração de focos do mosquito, com um percentual de 2,47% – superior ao índice geral da cidade. “Se temos um bairro problemático, temos que fazer um reforço no território, para isolar a dengue de forma que ela não saia para outro bairro”, explicou o gerente.


Combate


De acordo com Nélio, o Liraa deverá orientar as ações de combate à dengue da Prefeitura, como a territorialização dos agentes de saúde e endemias e o controle químico, durante o período de chuvas mais intensas (março e abril).


A intenção da SMS, segundo o gerente, é que o IFP de Fortaleza não cresça após os meses de maior pluviosidade. “Nós temos um diagnóstico na mão, agora é atacar a causa. Com a chegada concreta das chuvas, nós já vamos ter de lançar mão de outras alternativas para sustentar esse processo, baixar esse índice e evitar uma epidemia de dengue em 2014”, completou.


Fonte: O Povo