Mais Médicos: A diferença que os profissionais têm feito no Interior

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“O que eu quero da saúde é ser bem recebida e ter o medicamento, só isso”, diz a artesã Maria Zilda do Nascimento, 60, entre um ponto e outro dos chapéus de palha. A ambição da senhora grisalha não é das maiores. Afinal, bastou receber um pouco de cuidado e orientação para ela se encantar pela médica intercambista responsável pelo posto de saúde de Panacuí, distrito da cidade de Marco, distante 234 quilômetros de Fortaleza.


Zilda é hipertensa. Além dos problemas no coração, nas últimas semanas, estava com crises de insônia e dores constantes nos braços. “Ela é cubana. No começo, não entendia direito a fala, mas depois fui compreendendo. Eu gostei demais, fui bem recebida”. Saindo da sede de Marco, para chegar a Panacuí, é necessário percorrer 48 quilômetros de carroçal (estrada íngreme de terra). E essa travessia é realizada pela médica diariamente. A população local não apenas agradece a boa vontade, mas se diz impressionada pelo detalhamento das consultas e atenção ofertada.


Por onde os profissionais do programa federal Mais Médicos aportam, a diferença pode ser percebida. Mas, para que a demanda gerada pelos 162 municípios cearenses inscritos nos dois primeiros ciclos seja atendida por completo, ainda são necessários 484 médicos. Até agora, foram ocupadas 350 (40%) das 859 vagas geradas no Estado. Na primeira fase, foram 111 profissionais – entre médicos de registro brasileiro e intercambistas – encaminhados para os postos da atenção básica no Ceará. Depois, já no segundo ciclo, 27 profissionais de registro brasileiro chegaram aos municípios.


Hoje, encerrando o segundo período, outros 212 médicos que foram aprovados pelo curso de formação serão acolhidos pelas secretarias municipais de saúde. São 197 provenientes do acordo de cooperação feito com Cuba através da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e 15 intercambistas individuais – oito brasileiros formados em Cuba e sete vindos de países como Honduras, Venezuela, Itália, México e Portugal.


Segundo o secretário de Gestão Estratégica e Participativa do Ministério da Saúde, Odorico Monteiro, a expectativa é que até março todas as equipes estejam supridas com os médicos do programa. “Se não for possível, vamos continuar com as chamadas. Conseguimos atingir quase metade da demanda no Ceará com dois ciclos. Nós temos uma avaliação extremamente positiva. A maioria da população aprova e no aspecto jurídico conseguimos a aprovação da lei”.


Saiba mais


Com a entrada dos 212 novos médicos, o programa passará a atender 117 municípios cearenses. Os municípios que aderiram e ainda não foram contemplados poderão receber médicos nas próximas etapas.


O Nordeste lidera o número absoluto de médicos intercambistas recebidos na segunda etapa do programa, com 928. Seguida pelas regiões Sudeste (517), Norte (358), Sul (244) e Centro-Oeste (120). Com 212 profissionais, o Ceará é o terceiro estado que mais recebe médicos na segunda etapa. Sendo superado apenas por São Paulo (276) e Bahia (274).


Com a sanção da Lei do programa pela presidente Dilma Roussef, em outubro, a competência para emissão dos registros dos profissionais estrangeiros e brasileiros formados no Exterior passou a ser do Ministério da Saúde.


Serviço


Acolhimento dos Médicos Intercambistas


Onde: Escola de Saúde Pública (avenida Antônio Justa, 3161, Meireles)


Horário: 9 horas


 Fonte: O Povo