Mais uma paciente denuncia falta de atendimento do Samu

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Era madrugada quando a estudante cearense Isabel de Almeida, 23, começou a apresentar arritmia cardíaca e sensação de desmaio. Ela e mais um grupo de amigos estavam em Canoa Quebrada, a 166 quilômetros da Capital. O amigo Vasco de Azevedo, 49, tentou levá-la ao hospital, mas a estudante preferiu descansar. “Ela começou a ter uma crise alérgica, ficou com os olhos inchados e muita falta de ar”, relata.

O jeito foi levá-la às pressas para a unidade de saúde mais próxima, em Aracati. No caminho, uma placa indicava a existência do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Porém, a ajuda não veio como o esperado. “A telefonista disse apenas que o Samu não atendia esse tipo de ocorrência”, afirma.

Segundo Vasco, a atendente teria informado apenas que a paciente deveria continuar o trajeto de carro até a unidade de saúde mais próxima. “O problema é que não sou do Ceará, estava apenas de férias, e não sabia qual caminho fazer. Não houve nenhum tipo de orientação”, reclama.

O POVO recebeu a denúncia após publicar, na edição de ontem, o relato da família de um turista que passou mal em um flat, no Porto das Dunas, e teve atendimento negado pelo Samu. O professor universitário paulistano Norval Baitello Júnior, 72, teve quatro paradas cardíacas. Ele foi atendido no Hospital do Coração e passa bem. O caso está sendo investigado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesa).

Sem registro

Segundo o diretor-geral do Samu, Alcy Pinheiro, não foi encontrado no sistema registro para atendimento em Canoa Quebrada. “Procuramos pelo dia mencionado e também pelos dias próximos É estranho porque toda solicitação fica registrada”, diz.

Alcy acrescenta que o Samu não faz restrição à naturalidade, ao horário para prestar atendimento ou ao local de socorro (nos 47 municípios cearenses assistidos), seguindo padrões da assistência em casos de urgência e emergência. “Todos são beneficiados através do Sistema Único de Saúde”, frisa. Mesmo assim, ele reconhece a possibilidade de falhas no sistema e sugere o uso do canal de reclamação, pela ouvidoria. “Temos interesse em resolver as falhas. Nossa intenção é ouvir as reclamações e tentar melhorar”.

ENTENDA A NOTÍCIA

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) é gratuito e acolhe vítimas em situação de urgência clínica, traumatológica, cirúrgica, obstétrica ou psiquiátrica. O solicitante deve informar o nome, a urgência e o local.

Serviço

Em situação de urgência, ligue para o Samu

Telefone: 192

Para reclamar sobre o atendimento do Samu

Ouvidoria: 3433 7434

Fonte: Jornal O Povo