Pacientes foram transferidos de madrugada

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O dia de amanhã pode ser histórico para a saúde pública no Ceará. Caso se cumpra a promessa do titular da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), Ciro Gomes, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) não terá mais pessoas internadas no piscinão, uma área improvisada para atendimento emergencial.


O POVO apurou que, na madrugada de ontem, dezenas de pacientes foram transferidos para outros hospitais, reduzindo o número de macas nos corredores do HGF. Setores próximos da emergência estão passando por pintura de paredes e lavagem de macas e colchões.


“Até segunda-feira, o espaço entre uma maca e outra era de apenas uma cadeira plástica. A gente via quase 60 pessoas em macas, e, hoje pela manhã, não tinham nem 10”, afirmou um paciente que não quis se identificar. Ele contou que chegou ao HGF na última sexta-feira, 6, com suspeita de acidente vascular cerebral (AVC) e aguardava para fazer uma ressonância magnética. “Queriam transferir ele para um hospital em Messejana, mas se foram quatro dias para fazer o exame, seriam mais quatro dias para mostrar, com certeza. Então decidimos procurar um neurologista particular”, disse a esposa do paciente.


Transferências


O hospital ao qual a esposa do paciente se referiu é o Dr. Waldemar Alcântara, com nível terciário de atenção e alta complexidade. Diretor do Sindicato dos Médicos do Ceará (Simec), o ginecologista Jaime Benevides, que trabalha no HGF, confirma que houve transferência do pessoas que estavam no piscinão. Segundo o médico, cerca de 40 pacientes foram retirados na madrugada, a maioria para o Waldemar Alcântara. “Lá (no Waldemar) está um caos porque não contrataram médicos suficientes para receber essa demanda. Temos a expectativa de que o secretário resolva a situação do HGF, mas acho que ele pegou um abacaxi muito maior do que poderia imaginar. Uma realidade crônica como aquela não seria resolvida em 90 dias”, disse. Conforme Benevides, as cirurgias eletivas no HGF foram novamente suspensas durante essa semana.


Por meio de nota, a Sesa informou que a transferência de pacientes vêm sendo feitas há meses. A pasta destacou os 93 leitos de retaguarda do Hospital Fernandes Távora e os 42 da Santa Casa de Misericórdia. No Waldemar de Alcântara, que funciona como hospital de retaguarda do HGF desde o anúncio de Ciro Gomes, os 60 leitos já anunciados ainda estão em implementação, finaliza a nota.


Fonte: O Povo