Terceirizados do IDGS se reúnem em Assembleia

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O futuro dos funcionários terceirizados da Prefeitura de Fortaleza vinculados ao Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Apoio à Gestão em Saúde (IDGS) será decidido hoje, em assembleia. A deliberação ocorrerá após manifestação na frente do Paço Municipal, sede administrativa da Prefeitura de Fortaleza.

O protesto de ontem foi tenso. Centenas de pessoas tomaram a rua São José, que dá acesso à Catedral da Sé, no Centro. Motoristas incomodados com o congestionamento bateram boca com os manifestantes. A situação só foi resolvida após intervenção da Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC).

Os manifestantes exigem o pagamento de vale refeição, vale-transporte, salário de novembro e a primeira parcela do 13º salário. O gerente do departamento pessoal do IDGS, Jean Karlo Moura, afirmou que esperava o repasse da Prefeitura para pagar os funcionários – o que até o meio-dia de ontem não havia ocorrido. No restante da tarde, O POVO tentou contato com o IDGS para saber se o dinheiro havia sido depositado, mas as ligações não foram atendidas.

A coordenadoria de comunicação da administração municipal informou que, até o fim do dia, os valores referentes aos salários de novembro e os vales transporte e refeição seriam repassados. Na manhã de hoje, os terceirizados se reunirão em assembleia, no Instituto Dr José Frota (IJF), para deliberar sobre a possível deflagração de uma greve. (Aflaudísio Dantas, especial para O POVO)

“Desse jeito, qualquer um para”

Dona Maria da Glória diz sempre procurar atendimento no Centro de Saúde da Família (CSF) Paulo Marcelo. Ontem, levou a amiga para tentar uma consulta. “Não tinha médico. Nem clínico geral, nem ginecologista”. Para dona Glória, apesar da dificuldade de atendimento, a manifestação dos terceirizados é legítima. “Eles estão com salário atrasado, sem vale-transporte. Desse jeito, qualquer um para”.

Maria da Glória Magalhães, 66, aposentada

Atendimento irregular nos postos de saúde 

1) No posto de saúde Irmã Hercília Aragão (São João do Tauape), placa avisava que o 3º turno não funcionaria em dezembro. Segundo funcionária, não haveria garantia que o plantão vai ser pago. 2) Às 11h30min, O POVO viu apenas três funcionários no CSF Benedito Artur de Carvalho (Luciano Cavalcante). Não havia espera por atendimento

Paralisações prejudicam atendimento

Na manhã de ontem, O POVO visitou unidades de saúde e constatou que o atendimento estava irregular. Terceirizados podem deflagrar greve hoje

 

No Centro de Saúde da Família César Cals. na Aerolândia, dos nove auxiliares de enfermagem do local, apenas três estavam trabalhando ontem, segundo a coordenação do posto.

O atraso no pagamento de salários fez os terceirizados da rede municipal de saúde paralisarem mais uma vez, em menos de um mês. Na manhã de ontem, eles pararam e se reuniram em frente ao Paço Municipal, sede da Prefeitura, para pedir o salário de novembro, recarga do vale-transporte e pagamento da primeira parcela do 13º salário. Por causa da paralisação, o atendimento nos postos de saúde ficou irregular. Os funcionários, contratados pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico e Apoio à Gestão em Saúde (IDGS), são lotados em diferente serviços de saúde da Prefeitura. No mês passado, por causa do atraso dos salários de outubro, os terceirizados fizeram paralisação.

O POVO percorreu quatro postos de saúde, na manhã de ontem. Em todos os quatro, o quadro não estava completo e havia problemas no atendimento. A situação pode piorar, caso seja deflagrada greve dos terceirizados na assembleia marcada para hoje, no Instituto Dr. José Frota (IJF). No Centro de Saúde da Família Paulo Marcelo, no Centro, as pessoas estavam sendo vacinadas. E também recebiam medicamento. No entanto, não havia clínico geral nem ginecologista. Um dos funcionários confirmou que nenhum trabalhador ligado ao IDGS estava no posto.

No São João do Tauape, no Centro de Saúde da Família Irmã Hercília Aragão, o quadro também não estava completo. A técnica-administrativa da coordenação do posto, Lucina Duarte, informou que não havia nenhum auxiliar de enfermagem. “Medição de pressão e curativo é um problema. Se aparecer alguém querendo fazer, complica”. Segundo ela, a situação pode piorar, caso se deflagre a greve. “Ajustar a escala é complicado, porque não tem ninguém para substituir”. Há ainda uma placa no posto que informa o não funcionamento do terceiro turno em dezembro. “Não está tendo terceiro turno, porque não há garantia que o plantão vai ser pago”.

Em outro ponto da Cidade, no Luciano Cavalcante, por volta das 11h30min, O POVO viu apenas três funcionárias no posto. Uma delas, que falava ao telefone, dizia que o “pessoal do IDGS não está vindo”. No entanto, segundo a coordenadora, que se identificou apenas como Valdelice, o posto funcionou normalmente na manhã de ontem. “A manifestação não comprometeu o atendimento”. No momento, não havia ninguém esperando para ser atendido.

Apenas três no trabalho

Perto dali, uma longa fila aguardava a marcação de consulta. Era no Centro de Saúde da Família César Cals. na Aerolândia. “Cheguei às 7h30min e até agora não consegui marcar a consulta”, reclamava dona Rita Rodrigues, 48, por volta de meio-dia. De acordo com a coordenação do posto, a marcação de consultas estava normal. A fila aguardava uma médica e a atendente que só chegariam à tarde. A coordenação informou também que dos nove auxiliares de enfermagem, apenas três, concursados, estavam trabalhando.

“A gente para um setor para começar outro”, informou a coordenadora, que preferiu não se identificar. O POVO entrou em contato com a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) para saber como fica a situação dos postos de saúde, em caso de paralisação permanente. Por meio da assessoria de imprensa, a SMS informou que ninguém se pronunciaria sobre o caso, apenas a Coordenadoria de Comunicação da Prefeitura. Procurada pelo O POVO, a Coordenadoria informou apenas que os problemas de pagamento seriam sanados “rapidamente”.

 

ENTENDA A NOTÍCIA
Por causa de atraso no salário de novembro, falta de recarga do vale-transporte e não pagamento da primeira parcela do 13º salário, terceirizados da Prefeitura contratados pelo IDGS pararam as atividades na manhã de ontem.

Saiba mais

IJF – Na manhã de ontem, funcionários do IJF que estiveram na manifestação, em frente ao Paço Municipal, disseram que o hospital estava parando. “Só 30% está trabalhando. Não recebemos nada ainda. Não temos salário, estamos sem 13°, vale-transporte e vale-refeição”, reclamava a auxiliar de Farmácia do hospital, Francione Campos. Procurada pelo O POVO, a assessoria de imprensa do IJF admitiu a redução no quadro de profissionais e informou que o atendimento continua sendo realizado, apesar disso.

Samu – Os funcionários terceirizados do IDGS que atendem a população pelo 192 estão em greve desde as 7 horas de ontem. Segundo o Sinttel, sindicato da categoria, 30% do serviço está funcionando.

Fonte: O Povo