Hospital São Carlos – Sob chuva, Sindsaúde realiza protesto contra retirada de direitos

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Nas negociações da CCT para 2022 da rede particular, os patrões oferecem reajuste irrisório e destruição de direitos.

Dirigentes do Sindsaúde Ceará, mesmo sob chuva, estiveram na manhã desta terça-feira, 29/03, em frente ao Hospital São Carlos, em Fortaleza. O ato foi para protestar contra a proposta imoral dos patrões da rede particular, que oferecem apenas 3% de reajuste salarial para 2022. O Sindsaúde apresentou proposta de reajuste de 12%, com reposição da inflação de 10,16% (INPC 2021) e mais um pouco de ganho real. Além da proposta imoral de aumento, os patrões ainda querem mexer em direitos já assegurados em negociações anteriores.

Dia do pagamento. Os patrões querem retirar a obrigatoriedade de pagar salário até o quinto dia útil. Isto significa que pagarão salário no dia que quiserem.

Adicional de estimulo. Os empregados que fazem curso de aperfeiçoamento recebem adicional de cinco por cento. Agora, as empresas querem retirar.

Pagamento em dobro nos feriados. Os empregadores querem retirar esta cláusula.

Transporte do acidentado no trabalho. Para as empresas, quem se acidenta no trabalho tem que se virar com o transporte, caso precise de remoção ou de fazer exames mais sofisticados. Hoje, os empregados tem esta garantia.

Dobra de plantão. Hoje, a dobra de plantão é proibida pela CCT. Agora, querem retirar a cláusula que se refere a este direito, uma forma de retorno à escravidão.

Banco de horas. Os patrões querem o retorno à escravidão. Pela proposta deles, seria possível trabalhar mais de 12 horas por dia e a jornada que excedesse as 12 horas seria compensada em doze meses. Atualmente, as horas computadas no banco de horas são compensadas no bimestre seguinte e, se não compensadas, são remuneradas como extra (50% ou 100%).

Ataque às mulheres

O alvo dos patrões parece ser, particularmente, as mulheres, que compõem a principal força de trabalho na área da saúde e que tem recebido muitas homenagens neste mês de março. Na contramão de tudo que vem sendo propagado sobre ações para valorizar e proteger as mulheres, os patrões da rede particular não aceitaram nenhuma cláusula nova relativa a direitos das mulheres, tais como: permissão para o esposo acompanhar a empregada de hospital, em caso de internamento, e abono de faltas em caso de violência doméstica.

E não para por aí. Querem punir também as grávidas. A CCT atual dá direito a faltar, no mínimo, seis vezes durante a gravidez para consultas e exames. Os patrões querem que a empregada grávida avise com antecedência de três dias que vai fazer a consulta. Ou seja, se for um caso de urgência (o que é muito comum na gravidez), a empregada vai levar falta. Muita crueldade.

Querem ainda retirar a cláusula que permite ao sindicato divulgar a convenção coletiva no local de trabalho.

Para completar o pacote de maldades que compõe essa proposta dos patrões, nenhuma das cláusulas novas aprovadas em assembleia foi aceita, como é o caso do vale-alimentação, cesta básica, plano de saúde, adequação de jornada para quem faz estágio obrigatório e abono de falta em caso de prova de concurso público.

A Diretoria do Sindsaúde Ceará, evidentemente, rejeitou toda essa maldade contra trabalhadoras(es) da rede particular e agora mobiliza trabalhadores contra a retirada de direitos.

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