Hospital Municipal de Boa Viagem é o retrato do descaso

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Dirigentes do Sindsaúde estiveram no local e encontraram inúmeras irregularidades que vão da sobrecarga de trabalho à reutilização de seringas.


 


O Hospital Municipal Casa de Saúde Adília Maria, em Boa Viagem, é um retrato do descaso com a saúde naquele município.  O número de profissionais não atende à demanda e falta de tudo. Na farmácia, faltam medicamentos e a farmacêutica que deveria estar lá trabalha em outro município. Na cozinha, as refeições são preparadas pela copeira, sem sequer a orientação de uma nutricionista. Sem falar que as refeições são precárias: pão, leite, carne moída e biscoitos mal acondicionados em um ambiente sem as adequadas condições de higiene são servidos a pacientes e trabalhadores, que muitas vezes passam fome durante os plantões. 


 


E não para por aí. O hospital conta com apenas um banheiro para todos os funcionários, homens e mulheres. Não há alojamento para repouso e os profissionais descansam em colchonetes colocados no chão, sob o balcão do posto de enfermagem ou nos consultórios. Os trabalhadores estão sobrecarregados. Só há um técnico de enfermagem por setor, mesmo com o hospital lotado. Um mesmo profissional fica sozinho para atender até cerca de 30 pacientes e quando precisa se ausentar do setor para fazer uma transferência, por exemplo, a situação piora ainda mais.


 


As ambulâncias estão sucateadas, algumas rodando inclusive sem freio. Muitas trafegam com lotação de pacientes, o que é irregular, gerando riscos para os pacientes e profissionais.


 


Há denúncias de que a diretora do hospital, Rosivalda Ferreira de Almeida, conhecida como Valda, também ocuparia um cargo na sede da secretaria da saúde de Boa Viagem. Já o marido dela, o médico Gutemberg Mendes Farias Filho, estaria recebendo por um plantão de doze horas, mas trabalhando efetivamente no hospital por apenas três horas.


 


A dirigente do Sindsaúde, Daniele Nazário, e o advogado Bruno Rafael, da assessoria jurídica do sindicato, estiveram no local na última semana. O Sindsaúde vai pedir uma fiscalização do Conselho Regional de Enfermagem e solicitar uma reunião com a prefeitura municipal para tratar sobre a situação da referida unidade de saúde.


 


Com informações da Assessoria de Comunicação do Sindsaúde – Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Ceará