Fortaleza – Dezenove unidades de saúde estão sem trabalhadores da limpeza

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Os trabalhadores da limpeza e portaria de dezenove Unidades de Atenção Primária em Saúde (UAPS) do município de Fortaleza, dirigidas pelo Instituto Cisne, até hoje (29/11), não receberam os salários do mês de outubro. Os profissionais de saúde e os da área administrativa também viveram este mesmo problema até o dia 16 e só receberam depois de muita pressão do Sindsaúde. O agravante é que, neste caso, o contracheque veio com a data do dia 05/11, como comprovamos em imagem enviada por um trabalhador.

A falta de dinheiro pra comprar alimentos e para pagar o transporte, obrigou os trabalhadores da limpeza e portaria, que são empregado da empresa Facilites, empresa quarteirizada pelo Instituto Cisne, a ficarem em casa. Além de causar extremas dificuldades de funcionamento dos postos, também cria riscos relacionados a biossegurança, pois não está ocorrendo a descontaminação do ambiente e a retirada do lixo produzido, deixando funcionários e usuários expostos. Como se já não bastasse, os gestores de algumas UAPS estão exigindo que recepcionistas e auxiliares administrativos também exerçam as atividades de limpeza.

Os problemas relatados acima foram comprovados na manhã da última sexta-feira, 26/11, quando as diretoras do Sindsaúde Ceará Adriana Moura e Daniele Nazário visitaram as UAPS Parque São José João, no bairro de mesmo nome e UAPS João Elísio, no Aracapé. Elas conversaram com os trabalhadores e confirmaram as inúmeras denúncias recebidas através das mídias do Sindicato e viram os problemas bem de perto. A unidade do Aracapé, além de não ter os profissionais da limpeza, encontra-se no escuro, pois as lâmpadas queimaram e não foram trocadas e os profissionais estão tendo enormes dificuldades para fazer os procedimentos. Adriana relata que ela mesmo teve que acender a lâmpada do seu celular pra ajudar a uma profissional que estava pesando uma criança e não conseguia ver os números na balança. Os aparelhos de ar condicionado estão quebrados e os trabalhadores são obrigados a levarem ventiladores de casa. É tanto calor e suor que causam mal estar nos profissionais e pacientes, dificultando o uso dos equipamentos de proteção individual, principalmente a máscara.

Jurídico do Sindsaúde já foi acionado

Para Adriana Moura, “o que estamos vendo nestas unidades de saúde faz parte de uma crônica de morte anunciada onde a causa principal é a terceirização na saúde pública que, além de não resolver os problemas enfrentados pela população, precariza e piora a situação dos trabalhadores”. Ela enfatiza que “o Sindsaúde marca colado pra cobrar melhores condições de trabalho nas unidades de saúde e, ao mesmo tempo, defende o fortalecimento da saúde pública e cobra dos governos, em todos os níveis, a realização de concursos públicos como forma de solucionar estes e outros problemas enfrentados, tanto pelos trabalhadores como a população”. Finalizando, Adriana disse que “atraso de pagamento é grave desrespeito contra os direitos dos trabalhadores, principalmente agora com o custo de vida nas alturas e o departamento jurídico do Sindsaúde já está encaminhando sobre o descumprimento da Convenção Coletiva de Trabalho e a fraude na data dos contracheques”.

O Sindsaúde já encaminhou essa demanda ao sindicato dos trabalhadores em empresas de asseio e conservação (SEEACONCE), que já encaminhou um pedido de audiência ao Ministério Público do Trabalho – MPT.

 

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